
Um país contra as mulheres 🇦🇫
Estudar, trabalhar e até sair de casa. No Afeganistão, essas coisas que são normais a todos os cidadãos na maior parte do mundo estão restritas aos homens. Na edição de hoje, você vai entender como, há cinco anos, o Talibã quebrava uma promessa que tinha feito ao mundo todo e implantava o único “apartheid de gênero” já visto no planeta.
Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:
🥠 Seu biscoitinho da sorte
“A vitória tem um sabor mais doce quando você já provou do fracasso.” - Malcolm Forbes, empresário e político americano
Hoje na História: em um dia como hoje, em 1945, o Japão anunciou que aceitava os termos de rendição incondicional impostos pelos Aliados, encerrando, na prática, a Segunda Guerra Mundial.
Mundo
Com o Talibã no poder, o Afeganistão virou o país inimigo das mulheres

(CNN)
Faz cinco anos que os EUA retiraram suas tropas do Afeganistão depois de duas décadas de guerra com o Talibã, fazendo o grupo, enfim, assumir o comando do país.
🇦🇫 Uma promessa quebrada: No começo, os extremistas garantiram à comunidade internacional que mulheres poderiam continuar estudando e que as meninas não sairiam das salas de aula.
Mas eles não cumpriram. Menos de um ano depois, o ensino médio para meninas foi fechado e, em seguida, as mulheres foram banidas de todas as universidades.
👩🎓 O resultado: Quase 2,5 milhões de meninas foram privadas do acesso à educação secundária no Afeganistão, sendo 200 mil a mais só no último ano. Até 2030, esse número pode chegar a 4 milhões.
A repressão faz do país asiático o único no mundo onde meninas e mulheres são formalmente proibidas de frequentar o ensino médio e as universidades.
Um “apartheid de gênero” ✍
É assim que a ONU descreve o que acontece no Afeganistão, onde o Talibã também tirou das afegãs os direitos ao trabalho e à livre circulação.
👀 O medo virou rotina: Isso fez com que metade das mulheres do país raramente saia de casa. Além disso, 3 em cada 4 têm medo de sair sem um acompanhante homem.
No fim da cadeia, só 7% das afegãs têm emprego, enquanto entre os homens essa relação fica em 84%. Segundo a Unesco, isso pode custar quase US$ 10 bilhões em renda ao país.
💬 O que diz o Talibã: O grupo afirma respeitar os direitos das mulheres "segundo sua interpretação do islã” e da cultura afegã.
O governo ainda diz ter melhorado a segurança, estabilizado a moeda e investido em infraestrutura e empregos. Hoje, a Rússia é o único país a reconhecer o comando do grupo no Afeganistão.
Brasil
O Brasil decidiu responder ao tarifaço dos EUA “na mesma moeda”

(Evelyn Hockstein)
👀 Olho por olho, tarifa por tarifa: Para reagir ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, o nosso país acionou, pela primeira vez, a Lei da Reciprocidade Econômica.
Caso você já tenha se esquecido, os EUA aplicaram, no mês passado, uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando “práticas comerciais desleais” do nosso país.
Essa medida atinge quase 1/4 das exportações do Brasil para o mercado americano, com potencial de causar um impacto de mais de US$ 7,4 bilhões.
🤔 “Tá, então o que acontece agora?”: A Lei da Reciprocidade não significa que o Brasil vai aplicar uma tarifa igualzinha às importações americanas. Na verdade, a lei fala em vários tipos de retaliação.
Algumas medidas possíveis são 👇:
Aumentar tarifas sobre produtos americanos importados — como iPhones e outros eletrônicos;
Dificultar investimentos americanos por aqui;
Suspender benefícios em áreas como propriedade intelectual.
🇺🇸🇧🇷 Então habemus uma guerra comercial? Não necessariamente. Na prática, o próximo passo vai ser uma análise da Câmara de Comércio Exterior e consultas diplomáticas com os americanos.
Nas palavras do governo brasileiro, o principal objetivo é forçar o diálogo.
Como o processo para aplicar a retaliação é longo e pode levar até 7 meses, ainda há tempo para uma negociação e até para os EUA reverem a decisão.
✍ Tem que ser tudo calculado… Especialistas lembram que, com mais tarifas sobre produtos americanos, empresas e consumidores brasileiros podem acabar pagando mais caro por alguns itens importados.
Tecnologia
Se prepare para o maior IPO da história — e é claro que ele tem a ver com IA

(En Ara Cat)
A Anthropic foi de uma empresa relativamente desconhecida a uma das companhias de IA mais valiosas do mundo em tempo recorde e, agora, chegou a hora de subir de nível.
👣 Os próximos passos: A dona do Claude está se preparando para abrir capital na bolsa americana em outubro, e investidores apostam que a empresa possa valer US$ 2 trilhões.
Nas projeções mais otimistas, o valor de mercado da companhia pode chegar a US$ 3 trilhões.
🤯 Isso é gigantesco: Para se ter ideia, isso faria uma companhia de menos de 2 mil funcionários valer mais do que o PIB do Brasil no ano passado, um país de 213 milhões de habitantes.
Ou seja, a Anthropic tem tudo para ser a maior estreia de uma empresa na bolsa da história, superando até a SpaceX, que estreou em junho valendo US$ 1,75 trilhão.
💰 E por que vale tanto? Investidores estão apostando que companhias e governos vão continuar gastando fortunas para turbinar a inteligência artificial.
Nesse cenário, a Anthropic já superou a OpenAI em valuation e o Claude vem ganhando cada vez mais espaço no mercado corporativo — que é onde as big techs de IA ganham dinheiro de verdade.
⚠ Mas é claro que há um porém: Para justificar uma avaliação tão grande assim, a empresa terá de manter um crescimento extraordinário — algo próximo dos 800% ao ano.
A receita anual da Anthropic teria chegado a cerca de US$ 47 bilhões. Agora, investidores acreditam que esse valor pode alcançar US$ 120 bilhões até o fim de 2026.
🤖 Seja como for… O desafio das gigantes da IA vai ser provar que seus modelos de negócio são lucrativos e sustentáveis no longo prazo e que elas não fazem parte de uma temida “bolha”.
Tour de manchetes
O que mais você precisa saber para chegar no fim de semana sabendo de tudo
🇧🇷🗳️ Reviravolta no Congresso: Alcolumbre destrava PEC da Segurança e fim da escala 6x1 após reuniões com Lula
📸🤳 Essa repercutiu… Instagram revela novo logotipo e abandona fonte cursiva após 10 anos
🦾🤖 Um americano e um chinês: Lula muda planos e deve gastar R$ 2 bi em dois supercomputadores de IA
🇨🇳🍻 Maior rede de bares do mundo: Depois do sorvete barato, Mixue avança sobre o mercado de cerveja na China
💰👀 Todas de olho na bolsa: OpenAI demite executivos seniores em reformulação pré-IPO
Negócios
O editor que criou o “Under 30” foi demitido por aceitar suposto suborno de US$ 6M

(Fortune)
✍ Um “editor lendário”: Era assim que Randall Lane era conhecido antes de ser demitido da Forbes por ter aceitado US$ 6 milhões de um parceiro comercial da revista.
O dinheiro veio de RJ Shook, fundador da Shook Research, empresa parceira da revista desde 2016 na produção de rankings sobre os melhores assessores financeiros do mercado.
O pagamento foi feito mesmo com as regras da Forbes proibindo funcionários de obter ganhos pessoais a partir de relações comerciais da publicação.
💰 Por que chamou a atenção: Imagine que um jornalista ou um editor responsável por avaliar empresas recebe milhões de dólares de alguém ligado a uma dessas companhias.
Mesmo que o dinheiro não tenha influenciado nenhuma reportagem ou ranking — como o Lane insiste —, o fato de o pagamento ter sido escondido cria um conflito de interesse.
Não por acaso, o caso ganhou as manchetes sobre a mídia nos EUA, levantando questões até mesmo sobre a famosa lista “Under 30” da Forbes — que foi uma invenção do editor demitido.
💬 O que diz o outro lado: Lane disse que viu o pagamento como um presente pessoal e um agradecimento por conselhos informais que deu a Shook ao longo dos anos.
Mas, quando foi questionado pelo The New York Times, o jornalista assumiu o erro e disse que deveria ter contado sobre o tal “presente” assim que o recebeu.
Opinião by Olivia Sensata
Economista não faz previsão, quem faz previsão é o tarô

Toda vez que sai um dado de inflação, aparece alguém dizendo que os economistas erraram de novo.
Não tem como você errar uma expectativa… Você pode ser surpreendido positivamente ou negativamente. Mas "errar" não é uma opção.
O papel do economista é ajudar o mercado e o Banco Central a antecipar o que vai acontecer para tomar melhores decisões.
Só que ninguém prevê o futuro. Não tem como eu adivinhar uma pandemia, o efeito de um ciclone ou que o Trump vai entrar em guerra.
Esses fenômenos têm muito mais impacto na economia do que qualquer projeção que eu faça.
Nesta semana saiu o IPCA de julho: 0,07%, contra 0,16% em junho. Melhorou menos do que o mercado esperava. Manchete: "inflação vem acima do esperado".
O trabalho do macroeconomista é outro. Com os dados que ele tem, ele calcula o que espera que aconteça se a economia seguir se comportando como vem se comportando.
E isso serve para quê?
Digamos que eu venda café. Se a expectativa de inflação é 4%, eu calculo hoje o preço do saquinho que vou comprar em dezembro e coloco isso no meu preço agora.
Quando o dado vem pior do que a expectativa, a economia respondeu diferente do que o modelo supunha. Quem se planejou com 4% vai gastar mais do que planejou, e todo mundo refaz a conta.
E tem uma parte que confunde ainda mais: Às vezes a projeção existe justamente para não se realizar.
Quando se antecipa que o El Niño vai castigar a safra, governo, Banco Central e empresários se mexem para diminuir o estrago. Se o estrago vier menor, a projeção fez o trabalho dela.
Tarô acerta ou erra. Expectativa é ajustada. É por isso que a gente refaz a conta todo mês, sem futurologia e adivinhação.
🤝 Quem você acabou de ler: Olivia Carneiro, conhecida nas redes como Olivia Sensata, é economista formada pela USP com mestrado pela University of Chicago, renomada em Economia. Ela foi treinada por James Robinson, Nobel 2024.
Para mais análises como essa e para entender a economia que faz sentido, mas sem economês, assine a OliNews clicando aqui. O Boletim Sensata também vai fazer você amar acompanhar a economia.
*As palavras dos nossos colunistas não refletem necessariamente a opinião do Espresso.
What We’re Gonna Do
O único jornal onde a curadoria das dicas do fim de semana é tão boa quanto a das notícias 🤝

(Giphy)
👀 Para ver. Nessa série, um casal que herda uma mansão decide transformá-la em hotel, mas descobre que o local é assombrado por um grupo eclético e atrapalhado de fantasmas de diferentes épocas históricas. O resultado: uma comédia fantasmagórica.
🎧 Para ouvir. Já ouviu falar em fraturamento da atenção humana? É sobre isso que Peter Schmidt, da Strother School of Radical Attention, e o escritor Ale Santos conversam neste podcast que investiga os impactos da tecnologia fora do eixo. Em 19 minutos, a dupla destrincha como a economia da atenção opera como uma máquina de desigualdade.
📖 Para ler. Este livro foi escrito há quase 100 anos e já alertava para os riscos de uma sociedade obcecada por tecnologia, consumo e controle social. Qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência.
🤝 Para fazer. Às vezes, o segredo para ser mais produtivo é relaxar primeiro. Pensando nisso, essa meditação guiada vai te ajudar a recarregar o cérebro durante o fim de semana para que você esteja bem consigo mesmo quando a rotina voltar.
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