Acontece lá, você sente aqui 🛢

Temos um aviso importante para quem passa os olhos pelas manchetes sobre a guerra no Irã e o Estreito de Ormuz e nem se dá ao trabalho de ler as matérias, porque acha que isso não muda em nada a nossa vida.

Na edição de hoje, você vai entender como, mesmo a milhares de quilômetros daqui, o seu bolso e o seu tanque dependem — e muito — da geopolítica.

Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:

🌍 Trump reclassifica maconha como substância menos perigosa;

🇧🇷 Brasil cria o primeiro porco clonado da América Latina para fornecer órgãos ao SUS;

💼 Do Oriente Médio ao posto: como a guerra encarece o seu combustível;

🤖 Estudo mostra que 45% das empresas que investem em sistemas de IA acabam demitindo;

💰 Governo Lula rejeita a criação de estatal para explorar minerais críticos.

🥠 Seu biscoitinho da sorte

Confia no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.- Miguel de Cervantes

Hoje na história: neste dia, em 1616, partia o autor de uma das obras mais influentes da literatura mas sua história ainda atravessa séculos e nos faz questionar o que é loucura e o que é coragem.

Mundo

Os EUA já não acham que a maconha seja tão perigosa assim…

(CNN)

🍁 A nova era da cannabis: Depois de muita expectativa, Donald Trump reclassificou a maconha como uma droga menos perigosa e reduziu as restrições federais sobre a substância.

  • Na prática, a cannabis saiu da Lista I e foi para a Lista III da Lei de Substâncias Controladas.

👀 O que muda agora? É importante pontuar que essa decisão não legaliza a maconha no país inteiro, mas muda a forma como o governo enxerga a substância do ponto de vista científico, médico e econômico.

Para se ter uma ideia, antes a cannabis estava na categoria mais rígida de drogas — junto da heroína e do LSD, por exemplo.

  • Agora, a classificação mais soft é a mesma de alguns analgésicos e medicamentos controlados, como o Tylenol.

🩺 O que está nas entrelinhas… Além de reconhecer que a maconha apresenta menores riscos aos seres humanos, a Casa Branca acabou admitindo que a erva pode ter uso medicinal.

Isso significa que pesquisas científicas com cannabis agora ficam mais fáceis de ser feitas, e empresas do setor podem pagar menos impostos — isso em um mercado que movimenta mais de R$ 175 bilhões por ano.

💭 O que os americanos pensam disso? Quase 9 em cada 10 moradores dos EUA apoiam a legalização da maconha para uso recreativo ou medicinal. Há 20 anos, esse número mal passava dos 35%.

🗣️ A polêmica do baseado: Críticos dizem que a cannabis afeta o desenvolvimento do cérebro, enquanto defensores argumentam que ela faz menos mal e é tão usada quanto substâncias já normalizadas.

Brasil

A esperança da fila de transplantes tem quatro patas e foi clonado

(G1)

🐷 A revolução dos bichos? O Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a conseguir criar um porco clonado.

🩺 Por que isso importa? A ideia principal da clonagem de porcos é fornecer órgãos para transplantes em humanos no SUS em um futuro próximo.

Clonar permite copiar exatamente o mesmo animal com as modificações genéticas ideais — é como ter um “modelo” para produzir vários doadores iguais.

  • A relevância: Aqui vale lembrar que o Brasil tem mais de 80 mil pessoas na fila por um transplante.

Ou seja, os órgãos produzidos em animais geneticamente modificados podem reduzir essa fila, ampliar o acesso aos procedimentos e diminuir a dependência de tecnologias importadas pelo SUS.

🤔 Mas por que um porco? Do ponto de vista anatômico e funcional, os órgãos dos porcos são surpreendentemente parecidos com os humanos. Tamanho, estrutura e funcionamento — tudo bate.

Um passo histórico para os xenotransplantes 🏥

Esse é o nome dado ao uso de órgãos de animais em pessoas — um procedimento que tem avançado cada vez mais nos últimos anos.

Além do fígado de porco, partes como rins, corações e pulmões também vêm sendo testadas em humanos, principalmente em pacientes em estado terminal.

  • 👀 Vai ser algo comum? Apesar dos avanços, o xenotransplante ainda está longe de se tornar rotina na medicina.

riscos de infecção, dilemas éticos e desafios científicos para garantir que o corpo humano aceite bem o órgão animal.

👨‍⚕️ O potencial: Os EUA já realizaram alguns transplantes experimentais de coração e rins de porcos em humanos, mas os resultados ainda são limitados e cercados de incertezas.

Negócios

O tanque do seu carro está cheio de… geopolítica

(CPG)

Você pode até não perceber quando vai ao posto de gasolina, mas, dentro da bomba que transfere o combustível para o seu carro, há muita movimentação geopolítica e notícias internacionais.

🤨 “Mas, Espresso, do que vocês estão falando?”: Mesmo a milhares de quilômetros daqui, a guerra no Oriente Médio mexe com o seu bolso por causa do famoso “ouro negro” — o petróleo.

  • Isso porque, mesmo sendo um grande produtor, o Brasil ainda importa boa parte do combustível que consome, já que a nossa capacidade de refino é limitada.

✍ Colocando na ponta do lápis: Quando falamos de diesel, por exemplo, a Petrobras garante 70% do consumo nacional, enquanto os 30% restantes são importados.

Isso acaba deixando o nosso país vulnerável ao preço internacional e ao câmbio — principalmente em contextos geopolíticos turbulentos.

🫨 E, por falar em turbulência… Todas as manchetes que você leu nos últimos dias sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz só são importantes porque é por lá que passa 20% do petróleo mundial.

Com menos petróleo circulando, o preço do produto dispara — é só lembrar da boa e velha “lei da oferta e da demanda”.

  • Para se ter ideia, o barril de petróleo, que custava US$ 70, foi para perto de US$ 120.

⛽ Mas a logística é o coração: Como o combustível não brota no posto, as distribuidoras têm o papel de garantir que o abastecimento continue — atuando como ponte entre o barril e a bomba.

Porque, quando mexe com o diesel 🚚🇧🇷

Mais de 65% da carga transportada no Brasil depende das rodovias e dos caminhões. Ao mesmo tempo, o diesel representa cerca de 35% do custo do frete, ou seja, do custo operacional.

É só pensar que ele afeta sua locomoção, mas também altera os preços no supermercado do seu bairro, que recebe mercadorias por meio do transporte de cargas.

Tour das manchetes

MCs presos mais uma vez, os bilhões de Hollywood e outras manchetes relevantes do nosso giro

Tecnologia

Quase metade das empresas que investem em IA acaba demitindo humanos

(Sarah Grillo)

🤖 O robô que vem ocupando as cadeiras: Uma pesquisa mostrou que 45% das empresas que investem pesado em sistemas de IA acabam realizando demissões pouco tempo depois.

🔎 Quem está na mira? O estudo mapeou que as funções administrativas, de atendimento básico, de suporte e de análises padronizadas são as que estão mais ameaçadas.

Embora a área de tecnologia lidere os cortes, a previsão é que a onda de demissões chegue com força a setores mais tradicionais — como bancos, seguradoras e empresas de atendimento ao cliente.

🧐 “Tá, mas a IA entrega resultado?”: Mais de 90% das organizações que contrataram sistemas de automação ainda não tiveram retorno financeiro mensurável com seus projetos.

  • Isso mostra que, basicamente, as empresas estão cortando gente com base na expectativa de que a IA vai funcionar.

É como se elas estivessem cortando custos com pessoal agora para financiar a estrutura necessária para a IA, na esperança de que a conta feche no fim.

🤝 Mas nem tudo é demissão: Dados mostram que grande parte das empresas europeias que investiram fortemente em IA aumentou suas forças de trabalho.

💼 Zoom out: Seja como for, hoje em dia 90% das empresas já estão usando ou pelo menos explorando o uso de inteligência artificial em suas organizações.

Economia

Governo barra a criação de uma estatal para as terras raras

(Reuters)

✍ O rascunho que ficou na gaveta: Mesmo com aliados e integrantes do PT defendendo a criação da Terrabras, o presidente Lula ficou com a palavra final e rejeitou uma nova estatal no país.

  • A ideia de quem defendia a empresa era fazer com que o Estado tivesse mais controle sobre o tão cobiçado mercado de minerais críticos.

🥃 Uma dose de contexto: Pense em celulares, carros elétricos, turbinas eólicas e até mísseis. Tudo isso depende de um grupo especial de minerais conhecidos como terras raras.

Ficando atrás apenas da China, o Brasil tem a 2ª maior reserva desses minerais do mundo e, nos últimos meses, começou a explorar melhor esse potencial.

  • Pensando nisso, a Terrabras ficaria responsável por pesquisar áreas, extrair os minerais e até comercializar produtos feitos a partir deles.

E por que barraram? Dentro do governo, a leitura foi de que é melhor fortalecer órgãos que já existem, atrair investimento privado e incentivar a industrialização sem aumentar a máquina pública.

Na prática, o Planalto decidiu recuar da estatal para priorizar outro projeto — a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

💭 A lógica por trás: Essa proposta busca organizar regras, criar diretrizes e estimular investimentos sem criar qualquer tipo de conflito político ou econômico.

🇧🇷 Eis que surge um dilema: Por enquanto, o grande impasse é saber se o Brasil passa a vender a matéria-prima para outros países ou se processa as terras raras por aqui para agregar mais valor.

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