Edição 481 - 16/04/2026

Seguindo os passos da IA 👣

A edição de hoje vai fazer você pensar duas vezes antes de fazer algum comentário sobre aquele seu conhecido que largou a faculdade de Medicina para virar confeiteiro, especializado em doces com formatos piramidais.

Nos EUA, a empresa que já calçou os principais executivos do mundo tech decidiu ficar descalça para fabricar chips. Isso e muito mais você entende aqui embaixo.

Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:

🌍 A energia renovável recebeu um impulso improvável com a guerra no Irã;

🇧🇷 O governo federal desenha um novo programa de renegociação de dívidas;

🤖 A Allbirds abandona os tênis e vira uma empresa de IA;

💼 Ticketmaster e Live Nation são condenadas por monopólio no mercado de shows nos EUA;

💰 Milionários da geração Z estão correndo para as criptomoedas.

🥠 Seu biscoitinho da sorte

“A gente não se liberta de uma coisa evitando-a, mas apenas atravessando-a.” - Lygia Fagundes Telles, escritora e advogada brasileira

Mundo

A guerra que ninguém queria pode ter feito um favor ao planeta

(Kaveh Kazemi)

Parece contraditório, mas uma das maiores crises energéticas da história pode estar acelerando — e muito — a transição para fontes renováveis.

🤿 Aprofundando: Com cerca de 20% do petróleo global travado com o bloqueio do Estreito de Ormuz, as maiores potências entraram em modo de “improviso energético”.

  • Com isso, a geração global de eletricidade por combustíveis fósseis caiu, enquanto a produção de energia solar e eólica subiu.

💭 A lógica por trás: Pense que sol e vento são de graça, não precisam ser importados e muito menos ficam presos em um estreito bloqueado por conflito geopolítico.

Isso tudo fez com que, pela primeira vez na história, as energias renováveis — como a solar, a eólica e a hidrelétrica — gerassem mais eletricidade que o carvão no mundo todo.

💡 Por que isso importa? Esse é um marco verdadeiramente histórico, já que o carvão era a principal fonte de eletricidade mundial há mais de 50 anos.

Acontece que esse material também é uma das fontes mais poluentes, justamente por liberar grandes quantidades de gás carbônico — um dos principais causadores do aquecimento global.

🔮 O que vem por aí… Especialistas já chamam este momento de “ponto de virada crucial”, já que o mundo está caminhando rumo a uma matriz energética mais limpa.

Mas, para que essa mudança dure mais do que uma manchete, será preciso investir pesado em redes elétricas modernas, armazenamento de energia e infraestrutura.

Brasil

O governo está prestes a lançar um bote salva-vidas para os endividados

(Aida Amer)

Um dado preocupante tem incomodado cada vez mais a equipe do governo Lula — ainda mais em um ano eleitoral.

✍ Eis o diagnóstico: O número de brasileiros com contas em atraso bateu recorde, atingindo quase 82 milhões de pessoas.

  • Além desse aumento no número de inadimplentes, o valor total das dívidas cresceu mais de 170% nos últimos 10 anos.

💪 Então é hora de agir: Para enfrentar esse cenário, o governo federal está acertando os últimos detalhes de um novo programa de renegociação de dívidas — que vem sendo chamado de "Desenrola 2".

O foco principal deve ser limpar o nome de brasileiros que se afundaram nas dívidas mais caras e comuns, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

A diferença para o “Desenrola” de 2023 é que, agora, o desconto prometido é muito mais agressivo, chegando a até 90%, e o governo quer emplacar o programa antes do período eleitoral.

🤔 Quem vai poder participar? O programa foca em pessoas que ganham até cinco salários mínimos — ou seja, até R$ 8.105 por mês — e que estejam com dívidas sem consignação em atraso.

Trabalhadores nessa faixa de renda também poderão sacar até 20% do saldo do FGTS para quitar as dívidas de uma só vez.

💰 Falando das cifras: O programa deve durar três meses e movimentar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas renegociadas, dentro de um universo estimado entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.

Tecnologia

Os tênis que já foram os queridinhos do Vale do Silício viraram uma empresa de IA

(Reprodução)

👟 Allbirds. Embora esse nome não seja muito conhecido por aqui, essa foi a marca que calçou os principais executivos de tecnologia do Vale do Silício e analistas de Wall Street por anos.

Para se ter ideia, os tênis confortáveis e sustentáveis feitos de  levaram a empresa a abrir capital na bolsa de Nova York, em 2021, com um valor de mercado de mais de US$ 4 bilhões.

  • 📉 Mas aí veio o tropeço… O tempo passou, e a Allbirds não conseguiu se reinventar enquanto o gosto do consumidor mudava e as concorrentes ganhavam força.

Em menos de três anos, as vendas dos calçados despencaram mais de 50% e, no começo deste mês, o valuation da companhia era de míseros US$ 21 milhões.

🤯 Modo “gerenciamento de crise”: ativar. A Allbirds então decidiu vender a marca, os estoques e vários outros ativos para o American Exchange Group por cerca de US$ 39 milhões.

  • Basicamente, o negócio original que tinha alçado a companhia ao topo da bolsa saiu de cena.

🤖 Só “rebranding” é pouco para isso aqui… Eis que, ontem à noite, o mercado ficou um tanto quanto surpreso com o anúncio de que a Allbirds vai abandonar os tênis para virar uma empresa de IA.

Com o nome de “NewBird AI”, a ideia da nova companhia é comprar GPUs — chips essenciais para treinar modelos de inteligência artificial — e alugá-los para empresas que precisam dessa capacidade.

Para bancar a transformação, a finada Allbirds anunciou um acordo para captar até US$ 50 milhões com um investidor institucional.

“Tá… por que não?” 🤷‍♂️

Mostrando que adicionar “IA” ao nome de uma companhia pode ser o segredo para fazê-la deslanchar, Wall Street aplaudiu de pé a mudança de business.

💸 A reação do mercado: As ações da NewBird AI dispararam mais de 500%, e o valor de mercado saltou de US$ 21 milhões para US$ 159 milhões em um único pregão.

Mesmo assim, os analistas estão céticos, já que a Allbirds não tem histórico algum em tecnologia, infraestrutura de dados ou inteligência artificial.

Além disso, transformar uma empresa de tênis em provedora de chips é uma virada e tanto — e o mercado de computação em nuvem já tem gigantes bem estabelecidos jogando nesse espaço.

Um spoiler do que está mudando o amanhã e outras manchetes relevantes do nosso tour

⚽️🧐 Resta saber se o Ancelotti concorda… Maioria dos brasileiros defende Neymar na Copa do Mundo

Negócios

A Justiça dos EUA entendeu que os preços dos ingressos de shows estão caros demais

(Bloomberg)

🎶 Dos palcos para a Justiça: Em uma decisão histórica para a indústria do entretenimento, um júri federal americano condenou a Live Nation — dona da Ticketmaster — por monopólio ilegal.

O entendimento foi de que a companhia usou sua posição dominante para monopolizar tanto a venda de ingressos quanto a gestão de anfiteatros e espaços para eventos ao vivo.

  • 🫰 O preço como uma das provas: O júri calculou que a Ticketmaster cobrou, em média, US$ 1,72 a mais por ingresso apenas por saber que tinha esse monopólio consolidado.

Pode até parecer pouco, mas, multiplicado por dezenas de milhões de ingressos vendidos em 22 estados, o valor sobe para centenas de milhões de dólares.

👨‍💻 O estopim: As críticas contra a Live Nation explodiram em 2022, quando o site da Ticketmaster caiu durante a venda da “Eras Tour”, da Taylor Swift.

Quando o sistema voltou, os preços dos ingressos dispararam e passaram de mil dólares. Depois disso, fãs se uniram para questionar os valores, e até o Senado dos EUA abriu uma investigação.

👨‍⚖️ O que pode acontecer? Agora, o júri pode obrigar que a Live Nation e a Ticketmaster se separem — o que afetaria toda a indústria global de entretenimento ao vivo.

Na prática, com várias plataformas competindo pela venda de ingressos, os preços podem cair e os fãs podem ter mais opções para assistir aos artistas.

🇧🇷 E a gente com isso? Os efeitos não seriam automáticos por aqui. Ainda assim, uma eventual separação das empresas e maior competição no mercado podem criar pressão para que a concorrência também chegue ao Brasil.

Economia

Os jovens milionários estão correndo para os braços das criptomoedas

(Money)

Enquanto os pais colocam dinheiro em investimentos de renda fixa, ações e imóveis, a Geração Z e os millennials estão comprando cada vez mais criptomoedas.

👁👁 A razão tem quatro letras: FOMO. Graças ao “Fear Of Missing Out” — algo como o “medo de ficar de fora” — esses jovens milionários acreditam que precisam agir rápido para acumular patrimônio.

  • Em outras palavras, eles veem conhecidos e personalidades da internet ficando milionários “do dia para a noite” com moedas digitais e não querem perder o bonde.

🤳 Eis a fonte da informação… Os mais novos estão aprendendo sobre dinheiro no TikTok e no Instagram, e mais da metade da Gen Z começou a investir antes mesmo de ter o primeiro emprego.

  • Para muitos jovens, o caminho convencional — poupar, investir devagar, esperar — parece não fazer mais sentido.

Coincidência ou não, a pontuação de crédito da Geração Z nos EUA caiu para 676, sendo que a média nacional é 715.

💰 By the numbers: 62% dos millennials que investem querem ter criptos na carteira. Para 12%, elas são o melhor investimento de longo prazo, contra apenas 5% dos boomers.

No panorama atual, 36% dos millennials já têm criptomoedas — quase o mesmo percentual dos que possuem contas de aposentadoria (34%).

Programa de Indicação

Ei, não precisa fazer da gente um segredo 🤫

Ao participar, você automaticamente concorda com os Termos e Condições do nosso programa.

Queremos a sua opinião

O que você achou do Espresso de hoje?

Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas.