Edição 474 - 07/04/2026

“Ninguém mais quer ser pedreiro” 🧱

Caso você passe pelos corredores das principais empresas de construção civil do país, muito provavelmente escutará essa frase em algum momento.

Isso porque o setor enfrenta uma escassez de mão de obra por aqui — diferente do que acontece do outro lado do Atlântico, onde faltam vagas, e a solução acaba sendo pegar em armas. Isso tudo e muito mais na edição de hoje.

Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:

🟠 Sem emprego, jovens britânicos recorrem ao serviço militar em busca de renda e futuro;

🟡 Petrobras estuda tornar o Brasil autossuficiente em diesel em até 5 anos;

🔴 TikTok busca aval do Banco Central para atuar como banco no Brasil;

🔵 Marcas adotam avisos de "sem IA" para se destacar em meio à concorrência;

🟣 Construção civil enfrenta escassez de mão de obra.

🥠 Seu biscoitinho da sorte

“A gente não vê o mundo como ele é, mas como a gente é.” - Anaïs Nin, escritora e diarista franco-cubana

A farda está virando plano de carreira para cada vez mais britânicos

| Mundo

(The Week)

Esqueça aquele papo de astronauta, astro do rock ou jogador de futebol — para muitos jovens britânicos, o verdadeiro sonho é ser general.

🇬🇧 A situação na Terra do Chá: Com o desemprego jovem no nível mais alto em mais de uma década, as Forças Armadas do país estão recebendo um número recorde de candidatos.

  • As solicitações para a Marinha Real e para a Força Aérea são as mais altas em mais de cinco anos, com 16% dos jovens de 16 a 24 anos à procura de trabalho.

💼 O que está por trás disso? A falta de empregos de nível básico foi impulsionada pelos aumentos de impostos e pela presença cada vez maior da IA nas empresas.

Ou seja, as empresas estão pagando mais caro para contratar, e a tecnologia está assumindo parte do trabalho que antes era humano — deixando alguém sem cadeira nessa dança.

😮 That’s huge: Pela primeira vez, os jovens britânicos têm maior probabilidade de estar desempregados do que os da UE, com quase 1 milhão de pessoas sem trabalho.

Enquanto uns choram, outros vendem lenço 🪖

O governo britânico viu nesse cenário uma oportunidade dupla — resolver o problema do desemprego e reforçar as Forças Armadas, que estão encolhendo há décadas.

📉 By the numbers: O exército saiu de mais de 110 mil soldados em 1997 para pouco mais de 70 mil atualmente, registrando o menor número desde a era napoleônica.

Com a falta de empregos e de soldados, o Ministério da Defesa britânico está reformulando alojamentos militares e promovendo um aumento salarial acima da inflação.

👀 E tem funcionado… O ano passado marcou a primeira vez, desde 2021, em que os que entraram nas Forças Armadas superaram os que saíram — mostrando que o modelo pode se tornar uma referência para outros países.

O nosso país enfim vai poder parar de importar diesel

| Brasil

(Money Times)

🗞 Só se fala em combustível: Além de dominar as manchetes globais, a guerra entre EUA, Israel e Irã está pesando diretamente no bolso de milhões de brasileiros na hora de abastecer.

Pensando nisso, a Petrobras colocou uma ideia ousada na mesa — produzir cada vez mais diesel dentro do Brasil.

  • ⛽ Qual é o plano? A empresa está revisando seu plano de negócios para avaliar se o nosso país pode chegar à autossuficiência em diesel — ou seja, produzir internamente tudo o que consome.

Hoje, a Petrobras garante cerca de 70% do consumo brasileiro de diesel, enquanto os 30% restantes são importados — o que deixa o Brasil vulnerável ao preço internacional e ao câmbio.

🔜 Olhando para o futuro: A meta atual era chegar a 80% nos próximos cinco anos, adicionando cerca de 300 mil barris por dia — mas os 100% foram colocados na mesa.

Em contextos geopolíticos turbulentos como o que estamos vivendo, isso pode gerar um grande alívio para as contas públicas.

Para se ter ideia, depois da guerra no Irã, o governo já gastou mais de R$ 30 bilhões para tentar baratear os combustíveis por aqui.

Mexeu com o diesel, mexeu com o todo 🚚🇧🇷

Mais de 65% da carga transportada no Brasil depende das rodovias e dos caminhões. Ao mesmo tempo, o diesel representa cerca de 35% do custo do frete, ou seja, do custo operacional.

No fim do dia, o preço desse tipo de combustível também mexe com o seu bolso.

É só pensar que ele afeta você na locomoção própria, mas também altera os preços no supermercado do seu bairro, que recebe mercadorias por meio do transporte de cargas.

O TikTok quer fazer um passo de dança para ser o seu novo banco 🫵

| Tecnologia

(Metricool)

🤝 Onde se faz trend também se pega empréstimo: O TikTok quer deixar de ser “só” mais uma rede social de vídeos curtos para se tornar também o credor de milhões de brasileiros.

Pensando nisso, a plataforma, controlada pela gigante chinesa ByteDance, está pedindo autorização ao Banco Central do Brasil para virar uma fintech no nosso país.

🤿 Aprofundando: Em uma reunião em Brasília, os executivos do ex-app das dancinhas e possível futuro banco deixaram claro que querem duas licenças de operação diferentes.

  • A primeira é para virar um "emissor de moeda eletrônica" — ou seja, oferecer uma conta digital onde você guarda saldo, recebe transferências e faz pagamentos sem sair do aplicativo.

  • A segunda é para uma "sociedade de crédito direto" — o que permitiria que o TikTok empreste o próprio dinheiro aos usuários ou sirva de ponte entre credores e tomadores.

🏦 Tá, mas qual é o sentido disso? É importante lembrar que o “tico-teco” conta com 131 milhões de usuários no Brasil e que seus anúncios alcançam 80% dos adultos do país.

Pense que poucos lugares no mundo oferecem uma base de usuários tão grande e tão engajada. Ou seja, existe uma grande oportunidade de transformar esses usuários em clientes.

💰 Já tem um precedente… A rede já testou o TikTok Shop por aqui, e o negócio explodiu — saiu de R$ 1 milhão para R$ 46 milhões em menos de quatro meses.

A ideia, então, é fechar o ciclo inteiro dentro do app — descoberta, compra, pagamento e crédito.

🤳 Como funcionaria na prática: O usuário descobre o produto no vídeo, compra pelo TikTok Shop, paga com o TikTok Pay e, se precisar, parcela ou pega um empréstimo no futuro TikTok Bank.

Tá, mas por que você precisa saber disso? 🤨

Se você quer entender como essas mudanças entre o Vale do Silício e a Faria Lima impactam o jeito que todos nós trabalhamos, consumimos e vivemos, você precisa conhecer o TechDrop.

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O prazo final de Trump para o Irã e outras manchetes que você precisa saber

(Reprodução)

💰🎧 Mais de US$ 60 bilhões na mesa: Fundo de Bill Ackman propõe aquisição da Universal Music

As marcas entenderam que o “feito sem IA” agora é um grande diferencial

| Negócios

(BBC)

👁👁 Você com certeza já reparou: a internet está inundada de imagens, vídeos e textos gerados por inteligência artificial.

Acontece que grande parte desse conteúdo é completamente descartável — tanto que o termo “AI slop”, algo como “lixo digital feito por IA”, já se popularizou.

  • Não por acaso, um estudo mostrou que 68% das pessoas costumam questionar a autenticidade do que veem online.

💪 O contra-ataque dos humanos: diante disso, cada vez mais empresas ao redor do mundo estão adotando a estratégia de deixar explícito que não usam IA em nenhum processo criativo.

O selo “sem IA” tem surgido em vários segmentos diferentes — desde marcas de roupas frisando que as modelos são pessoas reais até produtoras de panelas e empresas de fraldas deixando claro que as artes dos anúncios foram feitas por humanos.

  • 💡 Qual foi o insight? basicamente, os times de marketing dessas empresas perceberam que a IA é ótima para escala, mas péssima para criar conexão emocional e transmitir valores.

Com a autenticidade virando um produto de luxo, saber que algo foi feito por mãos humanas, com erros e acertos, passou a ser um diferencial que justifica um preço mais alto e fidelidade.

✍ Mas não tem nada escrito em pedra: curiosamente, o mesmo estudo que citamos no começo da matéria mostrou que 50% dos consumidores preferem comprar de marcas que usam IA nas campanhas.

Ou seja, enquanto não há leis que obriguem a sinalização do uso de IA em propagandas, o mercado segue dividido — com o movimento “anti-IA” ganhando cada vez mais força.

Está faltando gente nas obras pelo Brasil

| Economia

(Itambé)

👷‍♂️ Faltando braço… A construção civil brasileira está crescendo e cada vez mais obras estão sendo abertas — mas faltam trabalhadores para executá-las.

Nos corredores das grandes empresas do setor, a queixa dos executivos já virou quase um mantra: "ninguém mais quer ser pedreiro".

🤔 De quem é a culpa? Embora os “suspeitos” habituais sejam sempre os mesmos — como o Bolsa Família e as plataformas de entrega e corridas por aplicativo —, os dados contam outra história.

  • A partir dos anos 1990, duas transformações ganharam força ao mesmo tempo no Brasil: a taxa de fecundidade despencou e a escolaridade média subiu.

Com isso, o contingente de jovens em idade ativa está encolhendo — principalmente no Sudeste e no Sul, onde a construção mais emprega.

🤳 Ao mesmo tempo… Mesmo que os ganhos não sejam tão altos quanto os obtidos nas obras, cada vez mais jovens preferem empregos menos físicos e com mais flexibilidade.

  • Para tentar resolver essa questão, construtoras começaram a investir em treinamento e até em tecnologia para reduzir a dependência de mão de obra.

🏗️ Mas isso leva tempo: A tecnologia existe, mas 70% das obras ainda utilizam métodos tradicionais, que geram 30% de desperdício de material.

🧱 Eis que surge um paradoxo: O Brasil precisa construir mais, mas tem cada vez menos gente disposta a fazer isso do jeito que sempre foi feito.

Para especialistas, a solução passa por pagar melhor, modernizar processos e mudar a imagem da profissão.

💰 Zoom out: A construção civil é um dos pilares da economia brasileira, representando aproximadamente 6,2% do PIB nacional e movimentando mais de R$ 1 trilhão por ano.

Ei, não precisa fazer da gente um segredo 🤫 Aqui é indicou, ganhou

| Programa de Indicação

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