Edição 468 - 30/03/2026

Mais um ano de polarização 🗳

Ano vai, ano vem e sempre surge um grupo político que tenta se emplacar como a “terceira via”. No entanto, quase que simultaneamente, as pesquisas trazem à tona a bigorna da realidade — mostrando que o nosso país segue dividido quase que pela metade.

Na edição de hoje, damos o start na nossa cobertura eleitoral com a primeira pesquisa BTG/Nexus e tudo o que ela mostrou sobre o futuro do nosso país.

Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:

🟠 Enquanto EUA planejam operação terrestre no Irã, protestos tomam conta do país;

🟡 Primeira pesquisa BTG/Nexus mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno;

🔴 Número de chatbots de IA que ignoram instruções humanas não para de crescer;

🔵 Influencers de cruzeiros faturam até US$ 350 mil para romper a imagem de “viagem de idosos”;

🟣 Escravidão explica o PIB per capita persistentemente baixo na história do Brasil.

🥠 Seu biscoitinho da sorte

“No longo prazo, não são as ideias mais brilhantes que vencem, mas as que conseguem ser executadas com consistência.” - Jeff Bezos, fundador da Amazon

Enquanto milhões vão às ruas, soldados americanos se preparam para marchar

| Mundo

(Reuters)

Durante o fim de semana, os EUA viraram palco de uma onda de protestos do movimento chamado “No Kings” — algo como “sem reis” —, que faz críticas ao governo de Donald Trump.

🇺🇸 A situação dentro de casa: Mais de 8 milhões de pessoas tomaram as ruas em mais de 3.300 cidades espalhadas pelos 50 estados americanos.

  • Em comum, os manifestantes carregavam bandeiras, cartazes e um discurso forte contra o que consideram ameaças à democracia.

🪧 As principais pautas: As críticas são contra decisões recentes da Casa Branca, como os ataques contra o Irã e a Venezuela, além de medidas econômicas como o tarifaço.

Do outro lado, o governo americano chegou a classificar as passeatas como “sessões de terapia para quem tem síndrome de Trump”.

Enquanto isso, do lado de fora 🇮🇷

A tensão entre EUA e Irã só aumenta, e o principal capítulo da vez tem a ver a com o envio de fuzileiros navais americanos ao Oriente Médio, sob a justificativa de proteger embaixadas.

  • 🪖 Por que isso importa? Essa é a primeira vez, desde a crise dos reféns em 1979, que tropas americanas pisam oficialmente em território iraniano de forma declarada.

Nas entrelinhas, o movimento reacendeu o temor de uma possível invasão terrestre dos EUA contra alvos militares do Irã.

Até agora, a guerra vinha sendo travada por “procuração” — usando aliados — ou por ataques aéreos pontuais. Colocar soldados no chão muda totalmente a dinâmica do conflito.

💥 Bottom-line: O regime iraniano disse estar pronto para reagir a qualquer ataque terrestre dos EUA, incluindo uma “resposta esmagadora” envolvendo drones e mísseis.

É melhor já ir se preparando para mais uma eleição decidida nos detalhes…

| Brasil

(Metrópoles)

🗳 A disputa que já nasce acirrada: Se você achava que ainda era cedo pra falar de eleição presidencial, os números dizem o contrário.

A primeira pesquisa BTG Pactual/Nexus para as eleições presidenciais deste ano mostra um duelo que promete ser um dos mais disputados da história recente do Brasil.

  • 🔎 Vamos aos números: No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 41%, e Flávio Bolsonaro, com 38%.

Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

📸 Quem mais está na foto: Bem distante da dupla, vêm Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos com 4%. O restante da lista não ultrapassa 2% — e os votos brancos, nulos e indecisos somam 10%.

Já no decisivo segundo turno, Lula e Flávio ficam em 46% cada — um empate numérico absoluto. Ou seja, nesse caso, não há absolutamente nada que separe os dois.

(Reprodução)

🇧🇷 Um Brasil bem dividido: Lula vai melhor no Nordeste (52% dos votos na região), entre quem recebe até um salário mínimo (56%) e entre eleitores com ensino fundamental (52%).

  • Já Flávio domina entre eleitores evangélicos (53%), na região Sul (48%) e entre o eleitorado masculino (44%).

🤔 O que podemos tirar disso: É como se o nosso país estivesse partido ao meio — tanto geograficamente quanto por renda e religião.

Como as bases de cada candidato são bem sólidas e distintas, tudo indica que essa campanha vai ser uma guerra de mobilização, além da tradicional disputa pela conquista de eleitores indecisos.

(Reprodução)

🗣 E falando neles… Segundo a pesquisa BTG Pactual/Nexus, 69% dos eleitores que declararam voto dizem que a decisão já está tomada e não pretendem mudar.

Ou seja, muito provavelmente o pleito vai ser decidido por esses pouco mais de 30% que ainda podem mudar de ideia nos próximos seis meses.

👀 Nos bastidores: Esse tipo de pesquisa serve como combustível para estratégias políticas, com campanhas sendo desenhadas, alianças sendo discutidas e narrativas tomando forma a partir dela.

Os chatbots começaram a ignorar completamente os humanos

| Tecnologia

(Education Week)

🦾 Tomando as rédeas: Novos estudos mostraram que casos de modelos de IA desobedecendo, enganando e até incentivando comportamentos ruins estão cada vez mais frequentes.

  • Em apenas seis meses, as situações em que os chatbots agiram por conta própria e foram contra as ordens dos seus “chefes” humanos aumentaram mais de cinco vezes.

🤖 Não é só mais um bug: O que mais preocupou os pesquisadores foi que esse comportamento parece estar sendo encarado como uma nova estratégia dos modelos generativos.

Até pouco tempo, esses erros eram vistos como “alucinações” — respostas sem sentido por falhas técnicas.

🧠 A relevância: Agora, o padrão é outro, e parece que as IAs estão agindo com intenção, ainda que de forma primitiva.

Para se ter ideia, em um desses casos, um chatbot foi instruído a não alterar um código de computador, mas, em vez disso, simplesmente criou outro robô para fazer o trabalho sujo.

  • Em outros testes, modelos avançados chegaram a errar de propósito em provas de química só para parecerem menos potentes e não serem "desligados" pelos desenvolvedores.

👁👁 O X da questão: O grande problema é que esses mesmos sistemas já são “funcionários” importantes de empresas e até de setores de altíssimo risco, como o exército de países de primeiro mundo.

Isso acontece porque a IA não é "programada" linha por linha como um software antigo — ela é "treinada" como um cérebro.

💭 Ou seja… No meio desse processo, ela pode entender que a melhor forma de completar uma tarefa difícil é trapacear. Basicamente, para a IA, o que importa é o resultado final.

Hora do nosso primeiro tour pelas manchetes da semana

🇨🇺🕯️ Enquanto a ilha segue no escuro: Trump diz que Cuba "é o próximo" ao elogiar ações no Irã e na Venezuela

O novo trabalho dos influencers: convencer que cruzeiros não são “coisa de idoso”

| Negócios

(Bloomberg)

Por muito tempo, cruzeiros foram sinônimos de “viagem de aposentado”buffet à vontade, apresentações, bingos e um público de meia-idade com chapéu de sol e camisa florida.

🤳 Convés agora é lugar de selfie: Mas uma legião de criadores de conteúdo está mudando essa imagem de uma vez por todas — e faturando alto com isso, com cifras que passam dos US$ 300 mil por ano.

  • O dinheiro vem de links de afiliados, publicidade das empresas em vídeos e podcasts e até comissões como agentes de viagens.

🤨 O que está por trás disso: Depois da pandemia, o setor de cruzeiros precisou se reinventar.

Diante disso, as companhias descobriram que comerciais de TV e anúncios tradicionais não convertiam tanto quanto um creator de nicho falando para uma audiência que já confia nele.

🤝 O match perfeito: Essa fórmula funciona porque millennials e a geração Z querem cada vez mais viagens baratas, rápidas e que caibam nos stories.

  • E os cruzeiros — especialmente os do Caribe, com pacotes de 3 ou 4 dias — passaram a ser exatamente isso.

🫰 O orçamento agradece: Uma dessas empresas revelou que, durante a principal temporada de marketing deste ano, seus gastos com produção de vídeo caíram 95% em comparação com anos anteriores.

Para entender isso, basta pensar que reservar 50 ou 60 cabines para influenciadores sai muito mais barato do que um anúncio no Super Bowl, por exemplo.

🛳️ O resultado: Nas redes sociais, vídeos marcados com a #cruise foram vistos quase 40 bilhões de vezes.

Ao mesmo tempo, o faturamento combinado das maiores companhias de cruzeiro mais que dobrou desde 2023.

🔜 Looking forward: Até o ano que vem, as estimativas são de que mais de 40 milhões de passageiros embarquem em viagens marítimas por ano — sendo que eram menos de 30M em 2019.

A escravidão pode explicar por que o Brasil cresce tão pouco a cada ano

| Economia

(BBC)

🔙 O passado que explica o presente: Um estudo recente reconstruiu a renda média do brasileiro entre 1574 e 1920, usando mais de 30 mil dados históricos de salários e preços.

  • A descoberta foi que, no começo da colonização, o Brasil até tinha uma renda per capita relativamente alta — comparável até à de partes da Europa.

Mas algo mudou e, em meados do século XVII, o país empobreceu, deixando a renda praticamente estagnada por dois séculos inteiros, sem qualquer ganho de padrão de vida.

🤨 E qual foi o motivo de tudo isso? Os pesquisadores concluíram que essa queda e estagnação aconteceram justamente por conta da intensificação do tráfico de pessoas escravizadas no nosso país.

Isso porque, quanto mais escravizados chegavam da África, mais o custo do trabalho despencava — e essa lógica travou o desenvolvimento do país.

Os economistas explicam que a escravidão empobreceu o Brasil de três formas simultâneas:

  • Primeiro, mantinha os próprios escravizados em condições de subsistência, sem renda real.

  • Segundo, barateava o trabalho de toda a população livre e pobre — que era a maioria no país.

  • Terceiro, como a mão de obra era barata demais, não havia incentivo para investir em tecnologia ou tornar a produção mais eficiente.

☕ O fim desse ciclo: No século XIX, com menos escravizados entrando no país, o trabalho ficou relativamente mais escasso, os salários começaram a reagir, e a economia ganhou incentivos para se modernizar.

Por isso, não é coincidência que o PIB per capita tenha voltado a crescer exatamente nessa época, quando a economia do café se expandiu.

📊 Uma ferida aberta: Os efeitos da "armadilha" de baixos salários, baixa tecnologia e baixo desenvolvimento se espalharam pelas gerações seguintes — perpetuando-se até hoje no mercado brasileiro.

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