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Edição 405 - 31/12/2025 - Retrospectiva #3 (Junho e Julho)

Nem o doce do morango amenizou o azedo das tarifas 🍓
Chegamos à metade de 2025, e o tom mudou. As decisões ficaram mais duras, as tarifas mais altas, os juros mais apertados — e o noticiário, mais barulhento.
Enquanto isso, em casa, a taxa de juros encontrou seu teto, e uma sobremesa inusitada dominou as redes e os paladares dos brasileiros.
Na nossa edição da retrospectiva de hoje, você vai lembrar por que, mesmo no inverno, os meses de junho e julho foram bem quentes — pelo menos nas notícias.
Boa tarde. No Espresso de hoje, você vai ver:
🟠 A caneta de Trump não poupou o Brasil — muito pelo contrário;
🟡 O ano em que os BRICS pousaram no Brasil;
🔴 O trono do reino da TV ganhou um novo dono;
🔵 Você lembra quando um morango crocante e recheado conquistou o país?;
🟣 A taxa de juros conheceu o seu teto do ano.
🥠 Seu biscoitinho da sorte
O que fizemos somente por nós mesmos morre conosco; o que fizemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal - Albert Pike
A caneta de Trump não poupou o Brasil — muito pelo contrário ✍️…
| Mundo

(Arte/Espresso | Kevin Lamarque)
Foi em meados de julho que Donald Trump assinou o decreto para aplicar uma taxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
📊 Os escolhidos: Entre as novas taxas anunciadas pelo presidente americano sobre 14 países naquela semana, o Brasil ficou com a mais alta de todas: 50%.
A decisão foi comunicada oficialmente ao governo brasileiro por meio de uma carta assinada pelo próprio Trump, em 9 de julho.
Nela, ficam listados dois motivos principais:
✍️ O fator político: O presidente americano citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF como um dos motivos para a tarifa extra. Na visão dele, o processo é uma “vergonha internacional”.
🫰 O fator econômico: Segundo a Casa Branca, a relação comercial entre os EUA e o Brasil é “injusta”, e o nosso país teria ficado rico às custas dos negócios com os americanos.
🎯 E o fato… Nos últimos 15 anos, os EUA registraram superávits em bens e serviços com o Brasil. Neste ano, o nosso país fechou o 1º tri com saldo negativo de US$ 650M na balança comercial com os americanos.
Um tarifaço com asterisco 👀
Para surpresa de muita gente, quase 700 produtos foram poupados das taxas de 50%, especialmente aqueles de que os americanos precisam muito — ou que seriam difíceis de substituir.
Setores como aviação, energia, mineração, papel, celulose e parte do agronegócio ficaram de fora.
🥩 Por outro lado… Café, carne e frutas, que são grandes exportações brasileiras, passaram a pagar mais caro para entrar nos EUA.
Teve mais decreto saindo da Casa Branca 📃…
No mês de julho, pela primeira vez na história, um ministro de uma Suprema Corte foi sancionado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos.
👨⚖️ O que aconteceu? A Casa Branca aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, acusando-o de violar direitos humanos e censurar opositores — inclusive Jair Bolsonaro.
O ministro do STF ficou com os bens bloqueados nos EUA e impedido de fazer negócios com empresas americanas, além de não poder usar cartões de bandeiras do país — e também ficou banido de pisar em solo americano.
🇺🇸🇧🇷 A relevância: A medida foi inédita e polêmica, já que nunca antes a Lei Magnitsky havia sido usada contra um juiz de uma democracia reconhecida, como o Brasil.
Essas tarifas e sanções ficaram em vigor por mais de 4 meses, mas o desfecho dessa história nós iremos te contar nas próximas edições da nossa retrospectiva.
O ano em que os BRICS pousaram no Brasil
| Brasil

(Arte/Espresso | Ricardo Stuckert)
Na primeira metade de julho, o nosso país foi palco da Cúpula do BRICS, que teve o Rio de Janeiro como sede.
🤝 Do que estamos falando? O bloco começou com cinco países — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, e a missão sempre foi fortalecer a voz do Sul Global e dos países em desenvolvimento.
Hoje, são 11 países membros permanentes, representando 39% da economia mundial. Somados, eles concentram 50% da população do planeta e 23% do comércio global.
A ideia inicial era discutir temas importantes para a economia global, tecnologia e até mudanças na forma como o mundo se organiza politicamente.
🫢 Mas teve climão… O encontro começou esvaziado, com dois nomes de peso — os presidentes da China e da Rússia — ausentes.
Com outras autoridades faltando, o evento teve seu peso diplomático enfraquecido.
🤔 O que ficou decidido? Durante as discussões, os países do BRICS deixaram claro que querem que empresas de inteligência artificial paguem direitos autorais por usarem dados de nações emergentes.
Outro ponto importante foi o debate sobre a criação de um sistema de pagamentos alternativo ao dólar para facilitar trocas entre os países do bloco.
✍️ Cuidado nas palavras: O texto final do encontro acabou abordando temas quentes, como as guerras em Gaza, Ucrânia e Irã, mas sem citar diretamente os EUA ou Israel, apesar das críticas indiretas.
Na parte econômica, o grupo condenou o aumento de tarifas e sanções, num recado velado a Donald Trump.
Sobre o clima, os líderes reafirmaram o compromisso com uma transição energética justa, mas admitiram que os combustíveis fósseis ainda têm um papel importante, especialmente nos países mais pobres.
🎻 Resumo da ópera: No fim das contas, o BRICS cresceu e ficou mais diverso. Mas, usando o bom e velho “jeitinho diplomático”, os países conseguiram chegar a um texto de consenso que tenta agradar a todos.
O trono do reino da TV ganhou um novo dono
| Tecnologia

(Arte/Espresso)
Se já faz tempo que muita gente fala em “futuro da televisão”, 2025 mostrou que ele já chegou.
📺 O que aconteceu? Na metade do ano, os serviços de streaming foram mais assistidos do que a TV a cabo e a TV aberta juntas pela primeira vez nos EUA — o maior e principal mercado do setor.
Quase 45% do tempo que os americanos passaram assistindo à TV foi via streaming.
Já a TV a cabo ficou com 24,1%, e os canais abertos, com 20,1%. Ou seja, as plataformas on demand superaram as duas juntas.
🎬 Why it matters: Por décadas, os canais tradicionais da TV aberta e da TV a cabo dominaram a forma como assistimos a notícias, esportes e entretenimento. Agora, as pessoas querem ver o que quiserem, quando quiserem.
Pense que isso mostra como empresas, estúdios e anunciantes precisam se adaptar rápido. Afinal, onde o público está, a atenção — e o dinheiro — vão junto. 👀
👑 Por que o trono mudou de dono? O público acima dos 65 anos entrou na onda dos streamings — e, vale lembrar, eles costumam assistir a muita televisão.
Além disso, empresas de mídia passaram a investir pesado no novo formato, fazendo com que grandes eventos — como o Super Bowl, o Oscar e as Olimpíadas — fossem transmitidos nas plataformas on demand.
📊 O ranking da nova geração: Há quatro anos, apenas cinco plataformas de streaming tinham pelo menos 1% da audiência. Hoje, já são onze.
O YouTube lidera a lista, seguido por Netflix, Disney, Amazon Prime Video e o canal da Roku.
Você lembra quando um morango crocante e recheado conquistou o país?
| Negócios

(Arte/Espresso | Receitas da Jake)
Quem provou, provou… O final de junho ficou marcado por inúmeros posts no feed e nos stories de um docinho simples e caramelizado em formato de morango. 🍓
😉 A gente sabe que você lembrou do nome só de ver a foto: O famoso “morango do amor” virou febre no país inteiro, com sua cobertura de brigadeiro branco e uma casquinha vermelha brilhante de açúcar.
Tal qual a conhecida “maçã do amor”, a combinação com morango já existia — mas explodiu por causa de vídeos curtos nas redes sociais.
A parte business dessa gostosura 🫰
Mesmo que, no fim, o morango do amor tenha sido um hype passageiro, isso não quer dizer que ele não tenha ajudado muita gente a engordar o bolso.
Muitos confeiteiros chegaram a chamar esse período do ano de “segunda Páscoa” graças à quantidade de vendas do morango do amor.
😋 Uma delícia de faturamento: Com o preço do doce variando entre R$ 12 e R$ 50, pequenos empreendedores relataram um aumento de até 600% nas vendas.
👨🌾 O panorama geral: O morango é uma das frutas sazonais mais aguardadas na maior parte do país. A área total de cultivo no Brasil é de cerca de 6,5 mil hectares, com tendência de crescimento.
A febre de poucas semanas foi suficiente para se tornar um dos símbolos do ano no país — além de ter adoçado o paladar e o faturamento de muita gente.
A taxa de juros conheceu o seu teto do ano
| Economia

(Arte/Espresso | Lula Marques)
Na reunião de 18 de junho, o Banco Central aumentou a Selic em 0,25 ponto percentual.
Com isso, a taxa de juros do nosso país chegou à casa dos 15% ao ano — o valor mais alto desde julho de 2006 e em vigor até hoje.
💰 Por que isso importou? A Selic é a taxa que influencia todos os juros da economia — desde empréstimos bancários até os rendimentos da poupança.
Basicamente, quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o que freia o consumo e ajuda a controlar a inflação.
📈 No topo do ranking: Com o aumento, o Brasil passou a ocupar a 2ª posição no ranking global de juros reais, ficando atrás apenas da Turquia.
Esse tal “juro real” nada mais é do que a taxa de juros descontada da inflação esperada. Ou seja, é o quanto o dinheiro “rende de verdade”.
Na prática, quanto maior for o juro real, mais caro fica pegar dinheiro emprestado.
Já sem esse desconto da inflação, a taxa brasileira de juros ficou na 4ª posição — atrás de Turquia, Argentina e Rússia.
Ei, não precisa fazer da gente um segredo 🤫
| Programa de Indicação

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